Um dos cinco maiores complexos empresariais do mundo, o maior da América Latina com 365 empresas. Um exemplo de empreendedorismo (o patriarca), apresentando um crescimento de 9.950% em 13 anos. Uma solidez comparada a do Império Britânico. Empregadores de 6% da população paulistana com um faturamento equivalente ao do estado de São Paulo.
Que erros teriam eles cometido?
1 A eleição do sucessor
Enquanto Ermelino comandava o grupo, a família era unida e apoiava sua gestão. Seu desaparecimento prematuro, no entanto, impeliu o patriarca à escolha de um novo comandante. A incumbência ficaria a cargo do seu 12° filho, ainda jovem e inexperiente. Uma escolha provavelmente emocional e pouco racional. Ao assumir, Francisco Matarazzo Filho, o Chiquinho, instigou uma turbulência sem precedentes na família, culminando com a expulsão de três de seus irmãos do convívio paterno – Andrea, Attilio e Eduardo – por se recusarem a assinar o testamento.
2 A dissolução societária
Com Chiquinho no controle, alguns membros da família optaram por vender suas partes na sociedade. As ações foram pagas com verbas suprimidas do capital das próprias empresas, comprometendo sua solidez. Assim, ocorreu uma interrupção nas modernizações e ampliações, limitando seu crescimento. As empresas tornaram-se obsoletas.
3 O cenário industrial
O mercado crescente exigia agilidade e especialização. O conglomerado, não atentando às mudanças, produzia uma infinidade de produtos, mas já não era líder de vendas de nenhum deles. Aos poucos foi perdendo qualidade e espaço para a concorrência.
4 Tendências do mercado
Após a segunda guerra mundial, a economia nacional estimulava a industrialização de bens de capital e bens semiduráveis. O então presidente Juscelino Kubitschek convidou Chiquinho a participar de uma sociedade, para instalação de uma montadora de automóveis no Brasil, a Volkswagem. O Conde desdenhou, ou talvez, não tenha levantado informações suficientes para uma melhor avaliação da tendência da época, e não aceitou associar-se no projeto.
Obviamente, um conglomerado de tamanha magnitude, não foi a ruína em função de apenas quatro fatores. Creio ter havido outros erros, e retóricos, e gastos exorbitantes na solução destes e outros confrontos familiares envolvendo às separações letigiosas.
A exemplo do Titanic, que fora “concebido para ser inafundável”, conforme dizia um folheto publicitário da White Star Line, de 1910, não cabia no entendimento da família Matarazzo que as IRFM era inquebrável, e quebrou.
Histórias do Patriarca
- Nápoles, Itália, 1924. Recém chegado do Brasil, o Conde Francesco Matarazzo entra na loja de seu alfaiate favorito. Verifica as medidas, olha dúzias de cortes de tecido inglês e escolhe um. O velho alfaiate estranha:
- Apenas um terno, senhor Matarazzo? Seu filho pediu
meia dúzia essa manhã.
- Ele tem pai rico, eu não, respondeu o conde.
2. Para homenagear o chefe, os operários acompanharam o cortejo com uma faixa na lapela onde se lia: “Vida eterna ao Conde.”
3. Era Palmeirense e doou o terreno para a construção do Parque Antártica, o estádio do Palestra Itália, hoje Palmeiras.
4. Teve dois encontros com o ditador italiano Benito Mussolini, e doou altas quantias aos fascistas brasileiros.
Frases do Patriarca
- Abri uma venda em Sorocaba e não procurei, nem jamais procurarei ter o que se chama de patrão.
- Nunca me prendi ao que já estava feito, já estava experimentado.
- Pensa que eu sou o Matarazzo?
- Sou comerciante de farinha, de bacalhau, de algodão… Não entendo de mais nada.
- Uma coisa puxa a outra.
- O bom negócio se faz na compra e não na venda.
Janeiro 17, 2009 at 9:12 pm
foi de grande valia a informação, gostaria de receber mais sobre os matarazzo, inclusive saber do senador eduardo suplicy…